domingo, 21 de julho de 2013

Semiótica - Nível Fundamental

''No exame do nível fundamental, considera-se que o que determina as condições de existência dos objetos semióticos  é uma estrutura elementar de significação que, partindo da oposição entre dois temas contrários, possa oferecer um conjunto mínimo de termos e relações operacionalizáveis no quadrado semiótico.'' (''A semiótica no espelho'', Lúcia Teixeira)

Proposta de análise:

Em que consiste a análise do nível fundamental do percurso gerativo de sentido de um texto? Após a leitura da primeira estrofe da música Sobradinho, composta por Sá & Guarabyra, exposta a seguir, faça uma análise das relações de sentido do nível fundamental em seus componentes sintático e semântico.


O homem chega e já desfaz a natureza
Tira a gente põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá prá cima da Bahia
Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o Sertão ia alagar
O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão [...]
(Sobradinho, Sá & Guarabyra)

Você pode ouvir a música Sobradinho no link:

http://www.youtube.com/watch?v=8ERBwtuaYmY

P.s.: As questões deverão ser respondidas nos comentários desse post!! 

42 comentários:

  1. Em uma análise superficial, mar e sertão contrastam. Respectivamente, um é eufórico e o outro disfórico. [Vou continuar estudando o assunto].

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  2. Há um contraste sim, Camila... mas pensa no conceito de par semântico: não-mar é sertão? E não-sertão, é mar? O par não caminha exatamente por aí não.

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  3. A análise do Nível Fundamental consiste na identificação de um par de opostos que constitui o sentido do texto e descrição do percurso efetuado pelo texto ao tocar esse par de contrários e seus complementares em momentos eufóricos e disfóricos.

    Aqui eu consigo identificar a oposição homem x natureza, explicitada no primeiro verso e a subsequente disforia da não-natureza, complementar de homem, exposta claramente no último verso.

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    1. Concordo com você Rodrigo, eu também percebi como par de oposição do nível fundamental homem x natureza. Acredito que a natureza seria o elemento eufórico e homem o disfórico. No decorrer do texto ele apresenta distinções entre esses termos, sempre contrapondo um ao outro.
      A análise do percurso gerativo de sentido compreende perceber esses pares opostos, contrários e contraditórios que formamo quadrado semiótico. Logo, os pares contrários seria homem x natureza e os contraditorios não natureza x não homem?

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  4. A semântica e a sintaxe do nível fundamental representam a instância inicial do percurso gerativo e procuram explicar os níveis mais abstratos da produção, do funcionamento e da interpretação do discurso.
    O texto constrói-se sobre a oposição semântica: progresso/natureza.
    Sua organização sintática é a seguinte: afirmação do progresso, negação do progresso e afirmação da natureza

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    1. O componente sintático do nível fundamental caminha por aí mesmo, Márcio! A questão é o signo que se opõe a "natureza". Será que "progresso" é mesmo a melhor opção?

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  5. Concordo com o Márcio: Acho que o par de oposição presente nessa música é o progresso x natureza. O homem, nesse caso, é quem "produz" o progresso. Somente através dele é que a represa pode ser construída no São Francisco.
    O par contraditório, para que o quadrado semiótico seja construído junto com progresso x natureza, é não-natureza x não-progresso.

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  6. Aqui a discussão está tomando um caminho muito bacana... é por aí mesmo, pessoal! Natureza é um dos signos do par semântico; mas o que se opõe a natureza? Pensem só: o homem não faz parte da natureza? E o progresso? Não-homem é complementar a natureza? E não-progresso? A questão está em definir o outro signo que é contrário a natureza. Quem se habilita?

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  7. A Análise do nível fundamental do percurso gerativo em um texto avalia os componentes semânticos e sintáticos. O componente semântico divide-se, normalmente, em eufórico(lado positivo) e disfórico( lado negativo). Esses dois polos norteiam o trajeto basilar do texto, como : Vida/Morte; Bem/Mal; Luz/Escuridão. Desta forma, ao passar de um polo ao outro, primeiro nega-se o polo positivo para então atingir o negativo, vice-versa. Esse caminho é marcado pelo componente sintático. As negações e afirmações ficam evidentes ao analisar as seleções lexicais e estruturas sintáticas selecionadas pelo autor. Na estrofe da música Sobradinho, podemos supor o par de oposição : Tecnologia/Natureza. A instalação de uma represa; retirada dos habitantes de seu lugar, alteração do meio ambiente, alagamentos e enseadas ficam marcados no texto por sintagmas selecionados pelo autor, como: ''O homem chega e já desfaz a natureza; Tira a gente põe represa, diz que tudo vai mudar'', e ''O sertão vai virar mar, dá no coração; O medo que algum dia o mar também vire sertão''. Ficando, assim, demarcado o choque entre duas forças e o tracejado sintático conferido pelo autor para a contenda.

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  8. O par de oposição seria natureza x urbanização ???

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  9. Acho que o caminho das análises é esse mesmo. Só que acho que o par de oposição não é igual ao que normalmente pensamos por "oposição". No texto de Fiorin "para que dois termos possam ser apreendidos conjuntamente, é preciso que tenham algo em comum e é sobre esse traço comum que se estabelece uma diferença". Então acho que progresso e natureza, ou tecnologia e natureza não tem esse "algo em comum". Progresso é meio que evolução, "mudanças ocorridas no curso do tempo", não tem um traço em comum com natureza. E acho que tecnologia são princípios científicos, também não vejo um traço em comum. Acho que talvez poderíamos opor natural e artificial porque têm em comum serem a composição das coisas... o material e a forma como são feitas... O que acham?

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    1. Na minha opinião, pensar em tecnologia como princípio científico é um tanto restrito. Pensei em tecnologia como oposição a natureza por um conceito simples : tecnologia = uso de recursos para atingir determinado objetivo; recursos = natureza. Nega-se a natureza para chegar a tecnologia, negando a tecnologia voltamos à natureza, algo assim. Acho meio dispensável entrar numa discussão a respeito do conceito de tecnologia, no entanto, só queria defender meu ponto de vista.

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    2. Eu entendi seu ponto de vista, entendi onde você queria chegar, onde todos, realmente. Mas acho que era isso que a professora estava tentando falar quando dizia que não estávamos ainda achando o par de oposição, não tinha o "algo em comum". Eu não consegui achar nesses pares anteriores, estava tentando pensar porque isso pra mim realmente é complicado. No caso, se recursos = natureza e tecnologia = -uso- de recursos, já meio que dá a ideia de que eles não tem o mesmo ponto, como masculinidade e feminilidade, ambos referentes a sexualidade. Qual seria o ponto em comum que você encontrou?

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    3. Bom, sei lá. Qual é o ponto comum entre vida e morte? Não sei se entendi direito o pulo do gato na parada.

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    4. Essa é a parte difícil! Pelo menos eu acho complicado. Acho que vida e morte tem em comum que ambos são etapas da existência. Eu tinha pensado primeiro até na sua relação, aí depois fiquei empacada nela, por isso sugeri outra... No caso estou esperando uma acudida da professora para ver como desenrolar isso aí. Às vezes tem tudo a ver, às vezes não é nada disso, minha mente embola mais que fio do fone de ouvido

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    5. Muito boa a discussão de vocês aqui, Rudá e Natália! Natália, é isso mesmo, como você leu em Fiorin: a oposição semântica se marca em signos que possuem um traço comum... como /feminilidade/ versus /masculinidade/, ou como /vida/ versus /morte/, como /parcialidade/ versus /totalidade/ ou /continuidade/ versus /ruptura/... a questão é pensarmos no que não faz parte da "natureza"... o homem provém da natureza, mas não as suas ações... fica a dica!

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    6. Muito bem, Camila! Mas se um lado é /natureza/, seguindo o raciocínio de "cultural", o outro é...?

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    9. A sintaxe do nível fundamental:

      Afirmação /cultura/, negação /cultura/, afirmação / natureza/.

      Categoria semântica do nível fundamental:

      /natureza/ eufórico vs. /cultura/ disfórico.
      /natureza/ vs. /cultura/

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    10. Isso mesmo, Camila, muito bom! Agora como é que a gente pode afirmar que /natureza/ é eufórico e /cultura/, disfórico? Quais são as marcas que apontam isso no texto?

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    11. Disfórico: homem, represa, São Francisco.
      Eufórico: profecia, mar.

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  10. O homem é o modificador, então o par de oposição seria a humanidade /natureza

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    1. Mas a humanidade não faz parte da natureza, Márcio?

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  11. A categoria semântica no nível fundamental baseia-se num par de termos opostos, como morte/vida, sendo necessário que ambos os termos apresentem algo em comum. Então, na minha opinião, na estrofe da música "Sobradinho" a oposição seria homem
    /natureza. Assim o homem é o termo disfórico (pólo negativo), já que o mesmo destrói a natureza: "O homem chega e já desfaz a natureza/Tira a gente põe represa"; e a natureza é o termo eufórico(pólo positivo),elemento valorizado na estrofe. Mas confesso que fiquei na dúvida quanto aos termos contraditórios e complementares dessa oposição, então pensei no par de oposição dito pelo Cláudio natureza/urbanização, ou então natureza/artificialidade(?)-"Tira a gente põe represa". oh dúvida cruel.

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    1. O termo eufórico é mesmo /natureza/... mas é o disfórico? Será que "articifialidade" cabe nesse caso? Porque podemos até pensar no par /natural/ versus /artifical/, mas será que é o caso nesse texto? Porque um dos termos não é /natural/, mas /natureza/...

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  12. A análise do nível fundamental do percurso gerativo de sentido de um texto consiste na análise do plano do conteúdo a partir de três níveis: o fundamental, o narrativo e o semântico. Em cada um destes níveis, podemos esmiuçar a análise em dois componentes: o semântico e o sintático.
    Na análise do nível fundamental do percurso gerativo de sentido, há, no contexto semântico, um par de oposição que sustenta o texto, em que um será afirmado (elemento eufórico) e o outro negado (elemento disfórico). Na música “Sobradinho” de Sá e Guarabyra, ao meu ver, o par de oposição encontrado é entre o natural e o artificial, assim como supôs Natália. Concordo com a oposição natureza x tecnologia, mas penso que tecnologia é algo menor e constituinte do que chamei de “artificial” – sendo este mais amplo. Sendo o artificial o polo disfórico e o natural o eufórico, podemos desenhar o percurso que ocorre entre estes dois polos, formando, então, o quadrado linguístico.
    Este quadrado linguístico pertence ao contexto sintático. Para a formulação deste, é necessário que existam os elementos contrários e subcontrários. O percurso, na música dada, é a negação da artificialidade, tratando-a como algo ruim; depois sua afirmação, tomando-a como algo que realmente existe, com a troca da “gente” pela “represa” e, depois, negação dela, com a subsequente afirmação da natureza. Os elementos do quadrado seriam: natureza x artificialidade / não-natureza x não-artificialidade.
    Sei lá, na elaboração do percurso fiquei meio confusa kkk

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    1. É o quadrado semiótico, Karlla, e não quadrado linguístico... kkkk Veja a minha resposta no comentário da Vladiana.

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    4. Ok, deletei o meu comentário sem querer. Mas foi isso mesmo que eu coloquei no meu rascunho, Karlla! Antes de a professora colocar o misterioso " questão é pensarmos no que não faz parte da "natureza"... o homem provém da natureza, mas não as suas ações... fica a dica!"

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    5. Mistérios, meninas... mistérios... hehehe.

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    6. é, quadrado semiótico! Falha de produção ahhahaha

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    7. Ah, não sei o que pode ser! Natureza x Urbanização? hahhaah isso é muito sutil!

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  13. Componente semântico:
    A oposição semântica existente (par de oposição) é natureza x civilização.
    Os subcontrários são não natureza e não civilização.
    A natureza é o termo eufórico e a civilização o disfórico.

    Componente sintático:
    Há a afirmação da civilização (“homem chega”, “já desfaz a natureza”, “tira gente põe represa”), a negação da civilização (não achei! ) e por fim a afirmação da natureza (“sertão vai virar mar”).

    Felipe Aquino

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  15. Considerando que a semiótica de linha francesa utiliza o texto como objeto de análise da linguagem na relação do plano da expressão e do plano do conteúdo, para estudar este último a semiótica utilizará o método chamado percurso gerativo de sentidos.
    Este plano gerativo de sentidos se constitui em três níveis: fundamental, narrativo e discursivo. Para cada um destes níveis há um componente semântico e um sintático que sustentam a arquitetura do texto.
    O nível fundamental não se apresenta imediatamente no texto, mas sustenta a sua base. Neste nível há um par semântico de opostos em que um será negado e o outro afirmado.
    Neste trajeto da negação de um até a afirmação de outro ocorrerá o componente sintático, nesse componente há a asserção de um polo para a negação do outro.
    No componente semântico sempre um destes termos terá o valor positivo ou negativo. Neste nível sempre haverá um destes termos valorizados positivamente que será o eufórico e o outro negativamente desvalorizado que será o disfórico.
    Considerando o que todos já disseram e as observações da professora, em relação a minha análise na música Sobradinho pensei no par de opostos que a professora colocou como possibilidade: natural/versus/artificial, em que o natural seria o eufórico e o artificial seria o disfórico. Daí vejamos, o natural seria a natureza propriamente dita, que deve ser preservada, e o artificial seria a represa do rio São Francisco, que por influência do homem terá parte das águas transpostas por conta de um projeto de lei do governo. Considerar o natural eufórico foi pelo fato de que o rio é um elemento da natureza “e por este motivo de acesso a todos”, já o artificial como disfórico é pelo fato de que esta transposição repercute como negativa pelo fato de muitas questões estarem em jogo, como ambientais, econômicas etc.
    A professora havia dito que deveríamos pensar se este par natural/versus/artificial/ caberia no texto uma vez que um dos termos não é /natural/, mas /natureza/. Mas professora, o texto do Fiorin diz que é sobre o que há em comum que se estabelece a diferença. Eu sei, você vai perguntar, mas e a natureza?
    Ainda no texto do Fiorin, os opostos em relação ao “Apólogo dos dois escudos” foram feitos nos termos parcialidade/versus/totalidade. Da mesma forma que na história da gata foi dominação/versus/liberdade.
    Assim, eu penso que o que não é natural é artificial=falso. O que não é artificial= verdadeiro.
    Então, esta questão do par de opostos não estaria relacionada ao que se pode inferir do componente semântico?
    A essa altura já fiquei confusa, o que vocês acham?

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